Gêneros do Cinema
O cinema bíblico: Filmes sobre o Antigo e o Novo Testamento

O cinema bíblico: Filmes sobre o Antigo e o Novo Testamento

A relação entre o cinema e a Bíblia

Desde os primeiros tempos do cinema que a Bíblia é focada em filmes. O cinema já abordou bastante assuntos que constam no Antigo e no Novo Testamento. Em algumas vezes o cinema se utilizou de sua ferramenta ficcional e não foi totalmente fiel ao texto sagrado. Há, portanto, liberdade no ato de fazer um filme. A relação do cinema com a Bíblia em termos gerais é muito positiva, gerando superproduções e também filmes de menor custo com boas adaptações.

Neste artigo, vamos abordar o gênero com uma seleção de filmes representativos sobre o Antigo e o Novo Testamento ao longo da história bíblica.

Filmes pioneiros sobre Jesus Cristo

Entre altos e baixos, o cinema produziu grandes filmes bíblicos, de muita qualidade artística. Jesus Cristo, especialmente, foi muito tratado no cinema, sendo que um dos primeiros filmes baseado nos relatos evangélicos foi “A Vida de Cristo” de 1906, dirigido pela “mãe do cinema”, a pioneira francesa Alice Guy-Blanché.

Cartaz de “A Vida de Cristo”, 1906, e a diretora pioneira Alice Guy-Blanché

Nos anos 20 do século passado, outro filme significativo sobre Jesus Cristo foi “Rei dos Reis”, dirigido por Cecil B.DeMille em 1927. Filmado com mais recursos técnicos e com mais duração, esse filme conseguiu narrar as principais passagens da vida de Jesus seguindo os relatos dos evangelhos do Novo Testamento. Esse filme é considerado a primeira superprodução bíblica do cinema.

“Rei dos Reis”, 1927, e o diretor Cecil B. DeMille

Filmes sobre o Antigo Testamento

O Antigo Testamento é uma compilação composta pelas Escrituras Hebraicas, contendo 46 livros. Ele é utilizado pelo judaísmo e pelo cristianismo. No caso Cristão, ele é a primeira grande parte da Bíblia, sendo que a segunda grande parte é chamada de Novo Testamento. Ele narra as relações entre Deus e o povo israelita, originalmente chamado de hebreus. Os principais livros do Antigo Testamento são: Pentateuco, Livro dos Reis e Livro dos Profetas.

O Pentateuco é composto por cinco livros: Gênesis, que trata da criação do mundo e dos primeiros patriarcas do povo hebreu/israelita até o Egito; Êxodo, que trata da libertação do povo hebreu/israelita do Egito por Moisés em direção à terra prometida; Levítico, que trata das leis referentes aos sacrifícios, à consagração dos sacerdotes e às leis referentes à pureza e à santidade; Números, que trata dos mandamentos dados ao povo hebreu/israelita durante as estadas no Monte Sinai; e Deuteronômio, que trata dos acontecimentos desde a entrega das Tábuas da Lei até a chegada do povo às planícies de Moab, e é considerado pela tradição judaico-cristã o discurso final de Moisés antes de morrer.

Os acontecimentos do Gênesis

Um dos filmes mais importantes que tratam do livro do Gênesis é “A Bíblia”, dirigido em 1966 pelo cineasta americano John Huston. O filme trata da criação do mundo, Adão e Eva e a expulsão do Jardim do Éden, Abel e Caim, Noé e o dilúvio, Sodoma e Gomorra, A Torre de Babel, a história de Abraão, o maior patriarca do povo hebreu/israelita, até seu filho Isaque donde resultará uma grande nação. O filme foi fiel ao texto bíblico, se tornou uma referência e contou com muitos atores famosos.

“A Bíblia, 1966, e o diretor John Huston

Cenas de “A Bíblia”, 1966

Noé e a arca do dilúvio

Em 2014, foi lançado “Noé”, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Russell Crowe como o personagem título. Adaptado da história bíblica da Arca de Noé, o mundo é devastado pelo pecado do homem e Noé é chamado por Deus para construir uma arca e abrigar todos os animais e sua família, de um dilúvio que promete destruir toda a Terra. O filme gerou polêmica, pois se deu a liberdade de criar criaturas e eventos não descritos na Bíblia, se tornando uma fantasia heroica.

“Noé”, 2014, e a arca do dilúvio

Cenas de “Noé”, 2014

A história de Moisés e o Êxodo

O segundo livro do Pentateuco, Êxodo, foi filmado por Cecil B. DeMille em 1956 com o nome de “Os Dez Mandamentos”. Foi uma superprodução suntuosa e extravagante, mas muito bem produzida. É uma narrativa romanceada e com liberdade ficcional da vida de Moisés: desde que foi encontrado no rio Nilo até a chegada à chamada Terra Prometida, passando pela fuga do Egito e a abertura das águas do mar Vermelho. O filme contou com estrelas de Hollywood, especialmente Charlton Heston como Moisés.

“Os Dez Mandamentos”, 1956, e a abertura milagrosa do Mar Vermelho

Cenas de “Os Dez mandamentos”, 1956

Abraão, o pai da fé

Em 1993, o filme “Abraão” foi produzido originalmente para a televisão em episódios e depois lançado no cinema. É um filme baseado na vida do maior patriarca bíblico, Abraão, o pai da fé. Foi dirigido por Joseph Sargent, filmado no Marrocos e estrelado por Richard Harris. Com Abraão, Deus faz uma nova promessa aos seres humanos de uma grande nação e uma grande descendência. Abraão é uma das figuras mais importantes da Bíblia e considerado um dos grandes personagens da relação do homem com Deus.

“Abraão”, 1993, o pai da fé

Cenas de “Abraão”, 1993

Jacó, o pai das doze tribos de Israel

Em 1994, o filme “Jacó” foi lançado e dirigido por Peter Hall. Jacó é um personagem muito importante da Bíblia. Filho de Isaque e neto de Abraão, Jacó, apesar de ter usurpado a primogenitura (significa ter a benção primeira do pai e sua herança) do seu irmão Esaú, foi confirmado por Deus. Lutou contra um anjo de Deus e seu nome foi trocado para Israel (que significa “aquele que lutou com Deus”), donde vem toda a descendência judaica. Teve doze filhos que se constituíram nas doze tribos do povo judeu escolhido.

“Jacó”, 1994

Cenas de “Jacó”, 1994

Rei Davi, guerreiro, pecador e piedoso

Outra figura muito importante do Antigo Testamento é o Rei Davi. Davi, filho de Jessé, era pastor de ovelhas. Quando jovem, venceu o gigante Golias e foi ungido pelo Profeta Samuel como o futuro Rei de Israel, o escolhido de Deus. Em 1985, sua história foi produzida com o nome de “Rei Davi”, dirigido por Bruce Beresford e estrelado por Richard Gere. A vida de Davi foi recheada de guerras, adultério e traições. Apesar de pecador, Davi era humilde perante Deus, se arrependia. Consta ser de sua autoria a maior parte do famoso e piedoso “Livro dos Salmos”.

Rei Davi, 1985, um dos maiores personagens bíblicos

Cenas de “Rei Davi”, 1985

Filmes sobre o Novo Testamento

O Novo Testamento apresenta os ensinamentos e a pessoa de Jesus, bem como os eventos originários do cristianismo do primeiro século. É uma coleção de textos cristãos e consiste em 27 livros. Os principais são: Os quatro evangelhos de Marcus, Mateus, Lucas e João, os Atos dos Apóstolos, as cartas de São Paulo e o livro do Apocalipse.

Quatro filmes importantes sobre Jesus Cristo

Além das produções pioneiras da vida de Jesus Cristo nas duas primeiras décadas do século passado, novos filmes foram feitos. Um grande filme sobre Jesus foi realizado em 1964 pelo diretor italiano Pier Paolo Pasolini: “O Evangelho Segundo São Mateus”. O filme talvez seja a melhor adaptação da vida de Cristo para o cinema. Pasolini, que se dizia ateu, foi fiel às escrituras e apresentou brilhantemente as mensagens de Cristo, seu tempo, sua relação com os religiosos da época, seus sinais, perseguição, morte e ressureição. O filme foi premiado e é até hoje respeitado pelo Vaticano.

“O Evangelho Segundo São Mateus”, 1964, e o diretor Pier Paolo Pasolini

Cenas de “O Evangelho Segundo São Mateus”, 1965

Um ano depois, em 1965, mais um filme bem adaptado da vida de Jesus foi lançado: “A Maior História de Todos os Tempos”, uma superprodução dirigida por George Stevens. O ator que viveu Jesus foi o sueco Max Von Sydow.  Um filme tratado com reverência, grande percepção artística e admirável comando. É um grande épico inspirador sobre a vida de Jesus, desde seu humilde nascimento, suas pregações, até sua crucificação e ressureição. Foi muito caro para a época e de longa duração. Jesus é mostrado com muita serenidade e delicadeza.

“A Maior História de Todos os Tempos”, 1965, e o ator Max Von Sydow na pele de Jesus

Cenas de “A Maior História de Todos os Tempos”, 1965

Em 1977, mais uma superprodução sobre Jesus é feita: “Jesus de Nazaré”, dirigido por Franco Zefirelli. Com uma grande duração e um elenco de inúmeras estrelas do cinema, esse filme é o mais admirado da vida de Jesus, não somente no circuito cinematográfico como também junto ao vaticano e aos cristãos de todo mundo. Ainda que tenha criado alguns eventos não descritos nos evangelhos por pura liberdade cinematográfica e para gerar mais emoção, esse filme criou a figura mais popular de Jesus que circula pelo mundo, composta pelo ator Robert Powell.

“Jesus de Nazaré”, 1977, e o elenco estelar

Cenas de “Jesus de Nazaré”, 1977

Em 2004, o ator Mel Gibson, já com experiência em direção, realizou uma versão radical e sangrenta das últimas horas da vida de Jesus, da agonia no Horto das Oliveiras até sua morte na cruz: “A Paixão de Cristo”. O filme gerou muita polêmica não só porque era muito violento e cheio de sangue, mas também porque acusou os judeus pela condenação e crucificação de Jesus. De qualquer maneira, o filme não está longe daquilo que realmente aconteceu, ou seja, as violentas injúrias e espancamentos contra Jesus, o seu doloroso açoitamento e sua terrível crucificação.

“A Paixão de Cristo“, 2004, e o diretor Mel Gibson filmando

Cenas de “A Paixão de Cristo”, 2004

Paulo, o apóstolo dos povos

Em 2018, o filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”, dirigido por Andrew Hyatt, foi lançado e muito bem recebido por narrar os eventos da vida do missionário evangelizador de forma fidedigna e com muita sensibilidade. De perseguidor implacável dos cristãos, Paulo (James Faulkner) tornou-se o maior e mais famoso pregador e pensador do cristianismo. O filme aborda a fase final de sua vida em Roma, seu pensamento denso, sua relação com Lucas (Jim Caviezel), companheiro de viagens missionárias e futuro escritor de um Evangelho, e sua amabilidade com seus discípulos.

“Paulo, Apóstolo de Cristo”, 2018, e a amizade com Lucas, autor de um Evangelho

Cenas de “Paulo, Apóstolo de Cristo”, 2018

João e as visões místicas para o Livro Apocalipse

No filme bíblico “O Apocalipse segundo João”, de 2000, dirigido por Rafaelle Mertes, o Imperador romano Domiciano por volta de 90 d.C. lança uma campanha bárbara contra os cristãos. Exilado na ilha de Patmos (atual Turquia), o velho apóstolo e evangelista João (Richard Harris) luta para manter o cristianismo vivo enviando cartas às comunidades cristãs. Tendo grandes visões místicas para a Igreja de Cristo, João determina que suas anotações sejam espalhadas entre os cristãos sobre aquilo que se tornaria o Livro das Revelações, o Apocalipse. 

“O Apocalipse segundo João”, 2000, e as visões do apóstolo

Cenas de “O Apocalipse segundo João”, 2000

Império Romano e cristianismo

O Império Romano foi um dos mais poderosos da história da humanidade. Durou cerca de 500 anos na europa ocidental e mais 1.000 anos se contarmos o seu braço oriental, o Império Bizantino. Apesar de muitas guerras de expansão e atrocidades, o Império Romano construiu prosperidade, criou infraestrutrura e  modernizou a forma de se viver em sua época.

A relação entre o Império Romano e o cristianismo sempre foi muito próxima historicamente. Jesus Cristo nasceu no tempo do Imperador Tibério e viveu no tempo do Governador romano Poncio Pilatos. Após o tempo de Jesus, os cristãos sofreram cerca de 300 anos de perseguição brutal dos romanos até o Imperador Constatino, no início dos anos 300 d.c., que, enfim, permitiu o culto cristão.

Selecionamos quatro filmes significativos que expõem bem essa relação.

Em 1951, um grande filme histórico foi produzido: “Quo Vadis”, dirigido pelo americano Mervyn  LeRoy. O filme é uma produção grandiosa, um épico. Se passa no tempo de Nero (Peter Ustinov), o alucinado imperador romano que jogava os cristãos nas arenas e coliseus para serem devorados por feras. Com base no romance proibido entre o General romano Marcus Vinicius (Robert Taylor) e a cristã Lígia (Deborah Kerr), o filme trata bem o tempo do início das perseguições contra os cristãos, acusados do incêndio de Roma a mando de Nero.

“Quo Vadis”, 1951, e o alucinado Imperador Nero em sua corte

Cenas de “Quo Vadis”, 1951

Em 1953 um novo filme romano/cristão foi lançado. Trata-se de “O Manto Sagrado”, dirigido por Henry Koster. O filme é um drama histórico que acompanha a trajetória de um tribuno militar romano Marcellus Gallio (Richard Burton), que é atraído por um amor de juventude, Diana (Jean Simmons). Junto com seu escravo liberto, Demetrius (Victor Mature), Marcellus comanda a unidade encarregada da crucificação de Jesus e, ao possuir o manto de Cristo, vive perturbado, meio que enlouquecido, e seu destino é largar a espada e abraçar o cristianismo.

“O Manto Sagrado”, 1953, e a perturbação psicológica com o manto de Cristo

Cenas de “O Manto Sagrado”, 1953

Em 1961, outro filme histórico foi realizado: “Constantino e a Cruz”, dirigido por Lionello De Felice. O filme aborda os tempos do líder militar romano Constantino (Cornel Wilde) que, ao ter uma experiência mística em sonho com a Cruz de Cristo, vence as forças do rival Maxêncio na batalha da ponte Mílvia nos arredores de Roma e se torna o Imperador do país unificado. Com o Edito de Milão em 313 d.C., Constantino autoriza o culto cristão, passa a ser simpatizante da religião e facilita o grande crescimento da mensagem de Jesus dentro do Império Romano.

“Constantino e a Cruz”, 1961, o a liberação do culto cristão

Em 2016, o filme “Ressurreição”, dirigido por Kevin Reynolds, foi lançado e é um drama histórico ficcional. O enredo conta a história de Clavius (Joseph Fiennes), tribuno romano que, após a crucificação de Jesus, é encarregado por Pôncio Pilatos (Peter Firth) de encontrar o corpo supostamente roubado do nazareno (Cliff Curtis), para evitar que o povo o consagre como “messias”. O filme é uma investigação surpreendente e aborda as experiências místicas do Tribuno na sua caçada do corpo de Jesus e suas mudanças interiores que o levarão à fé no ressuscitado.

“Ressurreição”, 2016, e a transformação espiritual do Tribuno romano

Cenas de “Ressurreição”, 2016

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